quarta-feira, 24 de junho de 2009

79 - BAJULAÇÕES GRACIOSAS, PODER SIMBÓLICO, JURIDIQUÊS E...

Falando do escrever praticado no mundo jurídico, duas questões sempre me incomodaram bastante: as expressões subservientes com que muitos profissionais jurídicos se reportam aos magistrados e a utilização de um juridiquês que, não raro, é muito mais farofa do que charque.

Já tentei recorrer ao autor de “A economia das trocas simbólicas” e de “O poder simbólico”, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, para compreender o motivo de não raramente ler em petições expressões como “venho à augusta presença de Vossa Excelência requerer...”, “venho, mui respeitosamente...”, “o suplicante pleiteia...”, “data venia, a honorável decisão merece reparo porque...”, “excelentíssimo senhor doutor juiz...”, e por aí vão-se os parnasianismos acriticamente repetidos pelas facilidades do ctrl+c/ctrl=v.

Data venia, peço eu, o respeito pela instituição não está nessas expressões bajulatórias, nos elogios graciosos e gratuitos – que particularmente a mim sempre causaram grande ojeriza –, mas na boa-fé objetiva da parte, na ética e na lealdade processual do profissional que atua no processo.

O respeito não está em um terno que se insiste em ser trajado em rincões tupiniquins que atingem os 40º, ou mesmo nas becas que lembram as mortalhas do carnaval de Olinda, o respeito está no compromisso dos atores judiciais para a rápida, transparente o objetiva solução do problema do cidadão.

A verdade é que essas expressões subservientes, as roupas bem enfronhadas, as colunas romanas, o mármore, o granito, “as ametistas e os florões e as pratas” dos superlativos dos egrégios tribunais, que vez por outra freqüentam as manchetes com escândalos de corrupção, não passam de um simbolismo dominatório, milenar, arraigado, silencioso e cruel, que nos ajuda a reproduzir e manter um statu quo que em nada espelha um pretenso Estado, muito menos democrático, muito menos de Direito.

Abaixo as quinquilharias gratuitamente lisonjeiras, o simbolismo que perpetua uma subserviência atentatória ao Estado Democrático de Direito e que alimenta uma magistratura alienada, vetusta e decadente. A boa notícia é que, nos últimos tempos, os magistrados cada vez mais entendem que são meros servidores públicos, com mister específico, assim como todo bom ou mau brasileiro.

Portanto, vale sempre lembrar o padre Vieira, que em lição ainda atual que já orientava a postura a ser tomada pelo postulante perante o magistrado: “Não hei de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois essa é a licença e liberdade de quem não pede favor, senão justiça”.

A outra pulga que sempre me incomodou nas letras jurídicas foi o “malafamado”, por assim dizer, juridiquês. Ora, uma coisa é a utilização de expressões técnicas que integram um ramo específico da Ciência e que, nem sempre, pode ser apreendido em sua totalidade para quem desconhece esse ou aquele ramo do conhecimento, o que é normal; outra coisa é pinçar as brotuejas das costas do velho Aurélio, à busca do “cunho vernáculo de um vocábulo” que ninguém utiliza mais, que não comunica, que não ajuda a se comunicar e a se fazer entender.

É certo que a água embaçada não faz o poço ficar profundo, como parecem esquecer alguns nobres, augustos, colendos, eméritos e atilados colegas. Escrever bem não é escrever difícil, basta ler Rubem Braga, que fazia troça do “Enriqueça seu vocabulário”, das Seleções Reader´s Digest, e nos desafiava a encher de significado as palavras que já conhecíamos, ao invés de aprender qual o nome do som produzido por uma lhama.

Da mesma forma, escrever bem, na área jurídica, não é procurar sinônimos obsoletos ou latinórios inespecíficos, escrever bem, o que digo sem nenhuma pretensão professoral, claro, é se fazer entender com o material do cotidiano, da padaria, da praça, do futebol.
É possível, sem precisar recorrer ao completo léxico camoniano, mas utilizando o mero vocabulário do tão querido homem-médio, construir textos argumentativamente densos, plasticamente belos, que comuniquem e que, por isso, atinjam sua função: se fazer entender. Como fazer isso?

A resposta é a mesma dada pelo poeta espanhol ao seu discípulo, quando indagado sobre a forma de ele fazer seus versos: “Hay que poner talento!” – dizia o poeta.

De mais a mais, a suplica que fica é para nos façamos entender, com a venia dos que querem entender e com a dignidade de quem protesta pela aplicação do consenso formal e transitório que chamamos de lei sem necessitar curvar-se com medo da augusta vara de um preboste.

Carlos Henrique Harper Cox, defensor público do Estado do Pará
Publicado por Blog dos Servidores do MP/RN

Comentários:
kalhilpereira disse...
Um dos melhores tópicos que já li nesse blog.
att,
Kalhil Pereira França
Servidor MP-RN (www.meliponariodosertao.blogspot.com)
Quarta-feira, Junho 24, 2009 8:50:00 PM

Anônimo disse...
SERÁ QUE UM PARENTE DE POLÍTICO EM CARGO COMISSIONADO NÃO É NEPOTISMO? GOSTARIA QUE ME EXPLICASSEM!!!!
É BOM PERGUNTAR AO CAOP DO PATRIMÔNIO!!!!
NEM FEZ COCNURSO PARA INSTITUIÇÃO, QUE COISA FEIA MP!!!!
VAMOS MORALIZAR O MP.
Quinta-feira, Junho 25, 2009 8:15:00 AM

7 comentários:

Anônimo disse...

Um dos melhores tópicos que já li nesse blog.

att,

Kalhil Pereira França
Servidor MP-RN
www.meliponariodosertao.blogspot.com

Anônimo disse...

SERÁ QUE UM PARENTE DE POLÍTICO EM CARGO COMISSIONADO NÃO É NEPOTISMO?
GOSTARIA QUE ME EXPLICASSEM!!!!
É BOM PERGUNTAR AO CAOP DO PATRIMÔNIO!!!!
NEM FEZ COCNURSO PARA INSTITUIÇÃO, QUE COISA FEIA MP!!!!
VAMOS MORALIZAR O MP.

Anônimo disse...

TALVEZ "DALITS", TALVEZ ALGO PARECIDO, OU TALVEZ NÃO. QUEM SABE?
Ainda sobre um trecho do texto que fala sobre os dalits, postado pelo nobre colega José Júnior: "Não podia ter sobrado destino pior para eles: ficaram com as tarefas consideradas impuras, que ninguém mais faz, como limpar excrementos. Os dalits são considerados tão sujos, que ninguém de outras castas devem tocá-los."
Diante desse trecho e de nossa atual situação ministerial, fui provocado a me lembrar de uma situação vivida por um grande escritor brasileiro caracterizado pelo seu mau-humor. Certa vez, tal escritor, ao andar pelas ruas de sua cidade, Palmeira dos Índios-PA, em determinada manhã, foi saudado por um colega que lhe disse amigavelmente: "BOM DIA", e ele (o escritor) respondeu "BOM DIA?" "BOM DIA só se for para você, colega." A partir daí, o colega intrigado pela resposta, que apesar de "seca" e direta, ter refletido a conjuntura vívida por ambos, disse: "é mesmo, amigo, você tem plena razão e, digo mais, se continuarmos desse jeito vamos acabar comendo mer..." Daí, o nobre escritor não deixou por menos, pois ele ainda não havia esgotado sua reflexão sobre a realidade gritante e respondeu: "é, colega, talvez sim, pois possa ser que não sobre nem um pouquinho dela para nós comermos."
A questão que fica é: "A situção é diferente?, parecida? ou se encaminha para tal? Com a palavra os servidores.
(post)

Anônimo disse...

SÓ PROMETA O QUE PODE CUMPRIR (AO PRESIDENTE FANFARRÃO)
Fiquei pasmado com a publicação de um post aqui no blog, achei até que não tivesse sido postado nos e-mails de alguns colegas servidores, mas pude ver com um colega servidor aqui da sede que o aludido e-mail havia sido sim enviado pelo presidente. Duvidei que alguém pudesse ter uma atitude infeliz de prometer e dar garantia do que não pode cumprir, porém vindo do presidente, nada de bom se pode esperar. Realmente o e-mail se caracteriza pelo seu conteúdo enganador e falacioso. Espero com isso, que a nova ASSEMP não se esmere em atitudes reprováveis, desprezíveis e falaciosas. Que o compromisso com a classe de servidores seja prioridade.(DIGO ISSO SÓ POR FALAR MESMO, MAS SEI QUE JOSÉ JÚNIOR É SINCERO, LUTADOR, CONHECEDOR DA MATÉRIA E TEM PERSONALIDADE FORTE, O QUE FAZ DELE UM GRANDE SINDICALISTA REPRESENTANTE DA CLASSE). Para quem ainda não teve acesso ao e-mail, vale a pena reprisar:

"Caros Associados,
A Diretoria da ASSEMP/RN informa que, em reunião realizada na manhã do dia 24 de setembro de 2008 com o Procurador-Geral de Justiça, a Procuradora-Geral de Justiça Adjunta, a Coordenadora da Assessoria Jurídica, o Presidente da AMPERN, o Presidente da ASSEMP/RN, o Secretário-Geral e a Chefe do Departamento de Finanças, a pauta anteriormente divulgada no site da ASSEMP/RN foi plenamente discutida, restando decidido que:
l DATA-BASE:
Pleito concedido conforme proposta da ASSEMP/RN, fixando-se em 1º de maio a data para a revisão dos vencimentos dos servidores, cujo Projeto de Lei encontra-se em fase de elaboração na Assessoria Jurídica para posterior envio à Assembléia Legislativa;
l AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO:
Pleito concedido abrangendo todos os servidores da instituição no valor de R$ 320,17 (25% da referência 01, do nível básico), cujo Projeto de Lei também se encontra em fase de elaboração na Assessoria Jurídica para posterior envio à Assembléia Legislativa. Vale lembrar que o valor foi fixado respeitando-se a limitação orçamentária do Órgão, uma vez que o montante referente a esse benefício totalizará 40% (quarenta por cento) do valor anual disponibilizado no orçamento para as despesas que se enquadram na categoria de custeio;
l EXPEDIENTE DE SEIS HORAS:
Pleito inicialmente negado em face da reclamação sobre acúmulo de serviço no Órgão, principalmente nas Promotorias do interior e da Capital, e o não cumprimento de horário integral por parte de alguns membros e servidores. Desse modo, a possibilidade de nova análise a respeito do expediente das 06 (seis) horas corridas ficará subordinada à implantação do Planejamento Estratégico da Instituição que, dentre outras coisas, estipulará metas a serem cumpridas por todos, oportunidade em que será realizado um maior controle dos horários efetivamente trabalhados;
l REFORMULAÇÃO DE CARGOS:
Pleito negado com base no parecer da Assessoria Jurídica do Procurador-Geral de Justiça, que aponta como impedimentos para tal reformulação a inconstitucionalidade da Lei proposta pelo TJRN e o ainda vigente concurso público para servidores do MP/RN.
Entendemos que a principal conquista alcançada neste momento é o fato de conseguirmos benefícios reais em prol de todos servidores do Ministério Público, sejam eles efetivos, comissionados ou cedidos.
Agradecemos a colaboração daqueles que participaram deste momento decisivo para nossa categoria, em especial ao Procurador-Geral de Justiça pela postura sempre receptiva aos pleitos e reivindicações apresentadas.
A DIRETORIA"

Isso sim é que é falta de compromisso e seriedade elevada a enésima potência.
COMO ASSOCIADO-CONTRIBUINTE, ESTOU NO AGUARDO DA REALIZAÇÃO DAS PROMESSAS. PROMETEU, CUMPRA, PRESIDENTE.

Anônimo disse...

ESPERO QUE O NOVO PGJ NÓS PROPORCIONE O HORÁRIO CORRIDO (06) HORAS.
NÃO ENTENDO ESSA INTRANSIGÊNCIA DE DIFICULTAR O HORÁRIO CORRIDO.
SE NÓS FOSSEMOS PARA FRENTE DA PGJ E COLOCASSE FAIXA NUM INSTANTE ELES FACILITARIAM.
TEMOS QUE PERDER O MEDO..

Anônimo disse...

O "cara" reclama do palavreado difícil do meio jurídico, todavia enche a linguiça com palavras difíceis de entender, só buscando o dicionário.
O que queres? Acho que aparecer, pois é um usuário e reclama dos outros que usam esse vício de liguagem.
Isto é "a meu ver", outros que vejam diferente.
É por isso que é bom ter liberdade de falar o que se pensa, viva a Democracia Brasileira.

Anônimo disse...

FUTURO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO:

SÓ PEÇO PARA ACABAR COM ESSA IDÉIA DE FESTA JUNINA EM CONJUNTO COM OS PROMOTORES.SÓ UM PEQUENO GRUPO ANDA TENDO BENEFÍCIOS POR ISSO DEFENDE AINDA A IDÉIA.NÃO PRECISA NEM DE ENQUETE."A FESTA É DE SERVIDORES ".