terça-feira, 28 de julho de 2009

112 - O COLEGA FRANCISCO PARTIU

Fomos surpreendidos hoje à noite com a notícia de que nosso colega Auxiliar de Serviços Gerais, Francisco Morais da Silva, 37 anos, foi baleado e chegou a óbito aproximadamente às 18 horas, num mercadinho vizinho a sua casa no bairro Abolição IV. Segundo sua família, Francisco reagiu a um assalto que estava acontecendo neste mercadinho e foi baleado, falecendo no local.

Esses acontecimentos, por mais que se tornem comuns, sempre nos remetem a reflexões. Um colega que numa tarde conversa com a gente, no dia seguinte, não se encontra mais entre nós. No trabalho ele se interessava por tudo, nos dava a impressão que as coisas ao seu redor estavam em movimento por causa de sua presença, era inquieto. Este era seu verdadeiro temperamento. Era um homem simples, estava sempre à disposição, tinha o hábito de perguntar, de me pedir alguma ferramenta para consertar as portas, cadeiras, fechaduras, gavetas.

Da instituição sempre desejou um computador, usado que fosse, o pediu a vários promotores, não foi possível, os bens públicos não se doam a pessoas. Não se importava, nem ficava com raiva da vida, continuava sua rotina. Tinha uma coisa que não gostava de fazer: servir café. Certa vez lhe perguntei o motivo: -- A bandeja, Júnior, é muito complicado segurar esse troço! Prefiro limpar o chão, varrer, consertar, essas coisas.

Vá em paz Francisco, infelizmente a falta de segurança pública não te permitiu permanecer mais tempo conosco, te desejo que onde você esteja não tenha o troço da bandeja para você segurar.

Postado por José Júnior - Servidor das Promotorias de Justiça de Mossoró

Comentários:
Livio Victorius disse...
Apesar de muitas vezes ouvir de nós que um serviço ou outro não era sua atribuição, que ele não precisava se preocupar com aquilo, Francisco respondia: "Eu não consigo ver algo que eu sei consertar, precisando de conserto. Eu gosto de ir lá e consertar". Fosse o que fosse, ele assim fazia, em uma instituição que não o merecia. Francisco nos deixou assim, tentando consertar um erro que não era dele. Mas partiu fazendo o que melhor sabia: ajudar os outros, mesmo sem ser sua obrigação.
Vá em paz meu amigo, que Deus esteja sempre com você. Amém.
Terça-feira, Julho 28, 2009 10:33:00 PM

Um comentário:

Livio Victorius disse...

Apesar de muitas vezes ouvir de nós que um serviço ou outro não era sua atribuição, que ele não precisava se preocupar com aquilo, Francisco respondia: "Eu não consigo ver algo que eu sei consertar, precisando de conserto. Eu gosto de ir lá e consertar". Fosse o que fosse, ele assim fazia, em uma instituição que não o merecia. Francisco nos deixou assim, tentando consertar um erro que não era dele. Mas partiu fazendo o que melhor sabia: ajudar os outros, mesmo sem ser sua obrigação.
Vá em paz meu amigo, que Deus esteja sempre com você. Amém.